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"Só eu sei as esquinas por que passei...Só eu sei!" (Djavan)

REFLEXÃO...

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdicicio da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade."

(Carlos Drummond de Andrade)











14 de fev. de 2010

DE CORPO E ALMA
Há cada dia que passa mais percebo o quanto o ser humano está obcecado pelo corpo; seja o seu próprio ou o de alguém. Seja o corpo do desejo ou o corpo do desprezo. Nada é mais tão importante. Avaliamos todas as possíveis características da alma, apenas em olhar para um corpo. Então paro e reflito comigo mesma o porquê de sempre me sentir tão incomodada quando um olhar cai sobre mim. Sempre julguei que era por me sentir nua diante de tal olhar; mas hoje vejo que não é exatamente isso o que ocorre em minha alma. Na verdade o que me incomoda é este olhar pela metade, olhar que só vê corpo sem ver alma. Olhar que constrói uma existência apenas pela aparência de um corpo. Não quer saber o que aquele corpo sente de tristeza ou alegria; o que ele vivenciou ao longo da vida; ou seus sonhos realizados e com certeza outros tantos frustrados. Não! Simplesmente julga-se! Julga-se capaz ou incapaz, belo ou feio, inteligente ou não. E tudo isso sem trocar nem dizer palavra alguma, sem sequer fazermos uma única pergunta. Aliás, deveríamos criar o habito de perguntar sempre: “Quem é você?”, no momento em que conhecemos alguém, isto iria facilitar a descoberta do outro e a nossa própria descoberta. As perguntas quando são feitas com honestidade e respeito criam laços eternos, e por mais paradoxal que pareça esses são laços que nos libertam.
Hoje o que busco em minha vida é olhar o outro por inteiro... nunca pela metade. E o outro é tudo o que me cerca. Muitos podem se perguntar: “O que será alma?” Cada um tem a sua própria resposta, e a minha concepção de alma: é aquilo que sai dos olhos... Aquilo que quando olhamos nos olhos do outro nos faz sentir um súbito medo, ou uma súbita alegria e aconchego. Mas na verdade o olhar é apenas a linguagem da alma de uma parte daqueles que habitam nosso mundo. A realidade é que ela está presente em tudo o que nos rodeia; uma flor tem alma se a arrancamos de seu galho, ela morrerá e nunca mais haverá outra igual. Até mesmo os objetos têm sua alma, ela está presente na história de vida que compõe cada um desses objetos. É estranho eu sei... Mas sempre tive a capacidade de sentir suas almas; talvez por uma questão de sensibilidade ou até mesmo por identificação pessoal com os objetos. E como eles, eu também anseio avidamente e aguardo silenciosamente por este olhar inteiro sobre mim; e que ele possa fazer então a grande descoberta daquilo que realmente sou!

(Rita Oliveira Orefice)






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